quarta-feira, 22 de julho de 2015

Se as coisas correrem mal, está tudo como deve ser.

Nos sonhos (acordada) tudo corre sempre às mil maravilhas.
Tudo é perfeito, tudo encaixa, tudo é bonito e fácil. A comunicação flui sempre, não há mal entendidos e todos falamos a mesma linguagem. É assim, não é? Pois é!
Já a realidade é bem diferente:
- nada é perfeito;
- às vezes as coisas não encaixam;
- no inicio tudo é feio e nada fácil.
- a comunicação é difícil;
- há mal entendidos sem querer;
- cada um tem a sua própria linguagem.
Chegamos mesmo a achar que está tudo enguiçado! Rezamos se for preciso ainda que a religião não seja o nosso forte e todos invocamos a famosa máxima "Não acredito em bruxas mas que as há, há!"

Esta última semana tenho vivido isto tudo on repeat, tudo enguiça e tudo tem de ser refeito (várias vezes).
O segredo é nunca desesperar, nem levantar a voz muito menos culpar os outros (nem mesmo nós). Estas coisas acontecem na vida real e tentar encontrar culpados é uma perda de tempo.
Nestas situações só há uma coisa a fazer: não pensar no que aconteceu, refazer o que é preciso ser refeito (não chorar o dinheiro que se perdeu) e da próxima vez ter mais cuidado. Também é importante falar com as pessoas envolvidas e pedir que se tente fazer de outra forma, mostrando como se quer. Explicar com todas as palavras porque as dicas às vezes não são suficientes.

Ser enterpreneur é ter muito savoir fair principalmente no que toca à resolução do problema e em momento nenhum deixar que as pessoas que trabalham connosco sintam receio que volte a acontecer. E se voltar a acontecer é porque a solução não era aquela que achávamos ser. Haverá com certeza outra. 


terça-feira, 7 de julho de 2015

Uma semana de vida intensa (com choro, fome e algumas birras).

Faz hoje uma semana que a TOMAZ foi lançada. Por esta hora estava sentada junto ao Tejo com uma amiga a beber um vinho branco já morno (ainda que tenha levado um cooler - e uns copos de vidro, pois claro!), a levantar o copo ao novo nascimento e a falar da vida, das nossas vidas.
Dizia-lhe:
- Agora é que vou começar a trabalhar a sério.
- Agora é que vou saber realmente o que é pôr o meu nome na rua!
- Agora... agora é que vou mostrar bem a minha raça - acho que nem eu sei bem do que é que sou feita!

Numa semana tive de encontrar outras costureira, outras formas de cravar a marca e a numeração no couro e na pele de carneiro, tive de correr vezes sem conta para o fornecedor de tecidos porque as contas tinham falhado, tive de encontrar um fornecedor de peles, andei que nem uma louca a fazer contas (de cabeça e no papel) para não falhar com encomenda nenhuma. Uma semana intensa que começou no último golo daquele vinho branco de aromas florais.

Há uma semana que, ou vou jantar fora com amigos, ou como massa com o que houver no frigorífico (hoje comi massa de tinta de choco com natas, chalotas e tomate cherry! era o que havia mas não fica nada mal...). Não tenho tido tempo nem para tirar o verniz das unhas (o que vale é que é transparente) nem para escovar o pelo dos gatos (já nem falo em ter tempo para comprar a pipeta para as pulgas). Também se acabaram os sacos para o lixo (tenho improvisado com sacos de papel - pelo menos é mais ecológico). A bateria do telemóvel acaba sempre que estou fora de casa e o gigabite que tenho de net no telemóvel já esgotou (renova daqui a 2 dias, graças a deus!).

Difícil? Não! Mas é efectivamente um desafio impossível de contabilizar antes de começar a "andar".
Só agora é que percebi que criar uma marca é duma responsabilidade monstra. É fazer de tudo para não falhar nada nem desiludir ninguém. É procurar ajuda junto de quem sabe mais que nós - sim, porque eu sou designer de interiores e disso percebo eu. Criar uma marca de produtos é muito diferente. Para mim é começar tudo de novo, é criar e ganhar confiança no meio em que nos passamos a mover, é não haver tempo para questionar o quer que seja, é seguir um sonho e é estar preparada/o que a qualquer momento nos podem tirar o tapete - afinal, antes de seres amada vais com certeza ser uma ameaça para quem já cá anda.

domingo, 5 de julho de 2015

Já não há volta a dar.

Há sensivelmente 9 meses que ando a trabalhar (on & off) neste projecto chamado TOMAZ, uma marca de acessórios que começa com uma linha de produtos para passear na cidade e na praia mas que quer verdadeiramente entrar casas adentro por este mundo fora.  
Sendo mulher, mas sem saber o que é ser mãe, quase me atrevo a dizer que a TOMAZ é uma filha - agora que nasceu tem de ser nutrida todos os dias, aprender a falar e a andar sozinha, a lutar pela sua sobrevivência da forma mais natural e saúdavel possível. Também tenho de ter consciência que vai haver o dia que a TOMAZ vai seguir a sua vida sem mim, ou com menos interferência minha, para o bem ou para o mal.

No momento que pus a TOMAZ na rua, ou melhor, na internet para o mundo ver, senti as palavras invadirem-me o cérebro com uma força gigante em forma de subtítulo dizendo: Agora já não há volta para trás. There's no turning back, Eliana! É bom que dês absolutamente tudo o que tens e o que ainda vais aprender para que esta marca deixe realmente as marcas que tu idealizaste ainda ontem. 

Aqui n'O Diário Duma Entrepreneur quero partilhar os melhores e piores momentos do meu dia-a-dia enquanto fundadora duma marca de produtos que ambicionam chegar a muitos cantos do mundo e fazer parte de muitas vidas, mas também inspirar muitas pessoas a fazer o mesmo e desmistificar que o sucesso são só vitórias.